Suspensão da vacina da dengue do Butantan: quais os próximos passos após anúncio do Ministério da Saúde?
Uso do imunizante do Butantan foi interrompido temporariamente; governo fará busca ativa de reações, investigará óbitos e orienta vacinados a monitorar sintomas.
Foto: Governo de São Paulo/Divulgação Após a suspensão temporária da vacina da dengue do Instituto Butantan, anunciada na segunda-feira (8), o Ministério da Saúde definiu os próximos passos da investigação. Estados e municípios devem interromper a aplicação, enquanto a pasta fará busca ativa de novos casos de reações adversas e aprofundará a análise dos dois óbitos suspeitos registrados entre as 500 mil doses aplicadas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que estados e municípios serão comunicados oficialmente sobre a decisão para que o uso da vacina seja suspenso. As doses já distribuídas devem ser mantidas nas redes refrigeradas, mesmo sem utilização, já que a medida é temporária.
A pasta também fará reuniões com os municípios para rastrear possíveis novos casos de efeitos adversos. As cidades serão orientadas a analisar os registros locais e notificar qualquer suspeita. Além disso, o ministério vai monitorar ativamente a rede hospitalar em busca de casos de dengue em pessoas com vacinação recente, quadros com sinais de alarme e óbitos. O acompanhamento será feito por lote, unidade ou território.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou o Instituto Butantan e deve convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica. O Butantan ficará responsável por analisar as informações disponíveis e apresentar novos dados às autoridades. O trabalho será conjunto entre Anvisa, Ministério da Saúde e Instituto Butantan.
O que deve fazer quem já tomou a vacina:
A recomendação é que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias façam acompanhamento em uma unidade de saúde local. Os sintomas de alerta incluem febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.
A vacina do Butantan é a primeira do mundo aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. Até o momento, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados (0,7% do total de vacinados), sendo 42 casos com sinais de alarme (0,008%) e três graves, incluindo dois óbitos. A medida não afeta a vacina Qdenga, que segue disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.



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