Falso médico da Otan e promessa de casamento: como age grupo que lucrou R$ 4 milhões chantageando vítima de Palmas e outras 20 pessoas
Polícia Civil detalha estrutura transnacional da quadrilha; operação cumpriu mandados em cinco estados e penas podem chegar a 20 anos de prisão.
Foto: Polícia Civil A Polícia Civil do Paraná (PCPR) revelou novos detalhes sobre a organização criminosa transnacional que usava perfis falsos, como o de um suposto médico da Otan, para aplicar o golpe conhecido como "sextortion" - chantagem com fotos íntimas. Uma moradora de Palmas, que denunciou o caso, foi a porta de entrada para as investigações que desvendaram um esquema de quase R$ 4 milhões e ao menos 20 vítimas em todo o Brasil.
Segundo a polícia, o grupo era altamente estruturado e dividia as tarefas. Um núcleo estrangeiro, que utilizava terminais telefônicos com código da Nigéria (+234), era o responsável pela abordagem das vítimas nas redes sociais, pela sedução e pela posterior extorsão. Já o núcleo nacional atuava como operador financeiro: cedia contas bancárias para receber o dinheiro das chantagens e ocultava os valores através da conversão para criptoativos.
Foi dessa forma que a vítima de Palmas foi abordada por um perfil falso com nome de "David Green", que se apresentava como médico oncologista em missão de paz da Otan na Síria. Após conquistar sua confiança com falsas promessas de casamento, o criminoso a induziu a compartilhar fotos e vídeos íntimos. A partir daí, começaram as chantagens. Sob a ameaça de divulgar o material, o golpista exigiu R$ 20 mil, mas o prejuízo total da vítima foi superior a R$ 60 mil, incluindo falsas despesas com passagens e multas.
Na manhã de quinta-feira (21), a PCPR deflagrou uma operação que cumpriu cinco mandados de prisão e cinco de busca e apreensão nos estados do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte. Os alvos são investigados pelos crimes de extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão. A ação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça (CIBERLAB) e das polícias civis dos estados envolvidos.
Proteção às mulheres
Um dia antes da operação, na quarta-feira (20), o governo federal assinou decretos que endurecem as regras contra a violência de gênero na internet. Entre as novas medidas, as plataformas digitais são obrigadas a criar um canal específico para denúncias de nudez (real ou gerada por IA) e a remover o conteúdo em até duas horas. As empresas também estão proibidas de oferecer ferramentas de inteligência artificial que permitam a criação de imagens íntimas falsas.
📰 RELEMBRE O CASO

Organização transnacional usava fotos íntimas para chantagear vítimas; ação foi deflagrada nesta quinta-feira (21) com mandados em cinco estados



COMENTÁRIOS