Mais de 11 mil casos de hepatites virais foram registrados no Paraná desde 2020; vacina é gratuita
Campanha Julho Amarelo alerta para doenças silenciosas que podem ser prevenidas com imunização e diagnóstico precoce.
Foto: Reprodução O Paraná registrou 11.659 casos confirmados de hepatites virais entre 2020 e 2025. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que aproveita o mês de julho para reforçar a campanha de conscientização sobre essas doenças. A maioria das infecções, 53,5%, foi do tipo B, enquanto 38% corresponderam ao tipo C e 8,6% ao tipo A. No mesmo período, 487 pessoas morreram em decorrência de hepatites virais, sendo que 77,4% dessas mortes estavam ligadas ao tipo C.
O que torna essas doenças ainda mais perigosas é o fato de muitas vezes evoluírem sem sintomas. Uma pessoa pode estar infectada e não saber, o que facilita a transmissão e atrasa o tratamento. Por isso a testagem é considerada tão importante quanto a prevenção. Os testes rápidos estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde e conseguem detectar a presença do vírus em poucos minutos.
A vacinação é a principal barreira contra as hepatites A e B. A vacina contra hepatite B está disponível de graça no Sistema Único de Saúde para qualquer pessoa, em um esquema de três doses. A primeira delas deve ser aplicada nas primeiras 12 a 24 horas de vida do bebê para reduzir o risco de transmissão da mãe para o filho. Já a vacina contra hepatite A faz parte do calendário infantil e é aplicada aos 15 meses.
Os números mais recentes do Ministério da Saúde mostram que o Paraná tem cobertura de 81,7% para a vacina contra hepatite A e de 92,9% para a primeira dose da vacina contra hepatite B em recém-nascidos. A Sesa lembra que esses dados de 2026 ainda são parciais e pede que a população mantenha a caderneta de vacinação em dia.
O estado também coleciona avanços no enfrentamento da hepatite B. Recebeu o selo bronze pela eliminação da transmissão vertical da doença, aquela que passa da mãe para o bebê. A meta da Organização Mundial da Saúde é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, com redução de 90% da incidência e de 65% da mortalidade.
Como cada tipo é transmitido
As hepatites A e E estão ligadas principalmente ao consumo de água e alimentos contaminados e às condições precárias de saneamento e higiene. Já os tipos B e C são transmitidos por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos como alicates de unha, agulhas e lâminas, e também de mãe para filho durante a gestação ou o parto.
A orientação da Sesa é que as pessoas procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para verificar a situação vacinal e, quando indicado, fazer os testes rápidos. Como a doença pode ficar silenciosa por anos, o diagnóstico precoce é a melhor forma de interromper a cadeia de transmissão e evitar que o quadro se agrave.



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