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Bituruna,08/07/2026

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O que é a ameba 'comedora de cérebros' e por que novos casos acendem alerta no mundo

Criança de 9 anos morreu em Rondônia em abril; casos são raros, mas cientistas apontam que o organismo está sendo detectado em novos locais e as mudanças climáticas podem estar por trás disso.

Fonte: BBC/Portal G1
O que é a ameba 'comedora de cérebros' e por que novos casos acendem alerta no mundo Foto: Bruno da Rocha-Azevedo, Herbert B. Tanowitz e Francine Marciano-Cabral / Interdisciplinary Perspectives on Infectious Diseases

Em abril deste ano, uma criança de 9 anos morreu em Rondônia infectada pela Naegleria fowleri, conhecida como "ameba comedora de cérebros". O caso ligou o alerta para um organismo que, embora raro, vem sendo detectado em regiões do planeta onde antes não aparecia. No ano passado, a Índia registrou o maior surto da história, com mais de 200 casos, número que superou todas as infecções documentadas no mundo até então.

A ameba vive em lagos e fontes de água doce quente, além de piscinas abandonadas ou mal cuidadas. O contágio acontece quando a água contaminada entra pelo nariz. Dali, o organismo migra para o cérebro e passa a destruir o tecido cerebral. O resultado é uma infecção devastadora chamada meningoencefalite amebiana primária.

O parasitologista molecular Anastasios Tsaousis, da Universidade de Kent, no Reino Unido, não tem dúvidas de que novos casos vão aparecer. "Nós iremos observá-los em todo o mundo", afirmou em entrevista à BBC.

O que mudou para que a ameba se espalhasse?

Entre 1962 e 2023, o mundo registrou 488 casos, a maioria no sul dos Estados Unidos, no Paquistão e na Austrália. Nos últimos 20 anos, no entanto, uma proporção maior de infecções passou a ser detectada em países do hemisfério norte, como Itália e Bélgica. Nos Estados Unidos, a ameba já apareceu em estados mais frios, como Minnesota. A Eslováquia teve seu primeiro caso confirmado no ano passado.

As mudanças climáticas são uma das explicações. Com a temperatura da água subindo, a ameba fica mais ativa e consegue sobreviver em locais onde antes o frio a impedia de se desenvolver. "Quando a água se aquece, a ameba fica mais ativa. Com isso, aumenta a possibilidade de infecção das pessoas durante atividades recreativas", explica Tsaousis. Ele também acredita que os diagnósticos estão melhores, o que ajuda a identificar casos que antes passariam despercebidos.

O drama de uma família americana

Em 2014, durante férias na Costa Rica, o menino Jordan Smelski, de 11 anos, passou horas brincando em uma fonte natural de águas quentes perto do hotel onde a família estava hospedada. Pouco depois, começou a sentir dores de cabeça. De volta aos Estados Unidos, o quadro se agravou com vômitos e alucinações. "Ele olhava para nós, mas não sabia quem nós éramos. Acho que ele não sabia quem ele próprio era", contou o pai, Steve Smelski.

Os médicos desconfiaram de meningite, já que os sintomas iniciais são parecidos. Quando descobriram a causa real, o inchaço no cérebro de Jordan já era irreversível. Ele morreu sete dias e meio depois de ter entrado na água. "Ela leva seu cérebro embora, retira seus pensamentos, você deixa de ser quem é", lamentou o pai.

Por que as crianças são mais vulneráveis?

As estatísticas mostram que crianças têm mais chance de serem infectadas. A idade média das vítimas é de 12 anos, justamente a faixa etária que mais brinca na água. Cientistas acreditam que a barreira entre o nariz e o cérebro seja mais frágil em pessoas jovens, o que facilitaria a entrada da ameba. "É como um pesadelo, um filme de terror ou um romance de Stephen King. É muito improvável contrair a infecção, mas, se ela ocorrer, você provavelmente irá morrer", afirmou Ian Wright, especialista em ciências da água da Universidade do Oeste de Sydney, na Austrália.

Sobrevivência maior em surto recente

Um novo estudo publicado na revista Communications Medicine, no entanto, sugere que a infecção pode não ser tão fatal quanto se pensava. Durante o surto de Kerala, no sul da Índia, mais da metade dos pacientes sobreviveu, índice muito acima da taxa histórica de apenas 3%. Os pesquisadores atribuem o resultado ao diagnóstico precoce, ao maior conhecimento dos médicos locais e a protocolos de tratamento mais consistentes.

Como se prevenir?

A principal forma de evitar a infecção é impedir que a água entre pelo nariz. Ao nadar em lagos, fontes ou piscinas de água doce quente, a recomendação é segurar o nariz ou usar um clipe nasal ao mergulhar ou pular. "Na dúvida, simplesmente não coloque sua cabeça dentro da água", aconselha Wright.

O perigo também está nos frascos de irrigação nasal, aqueles usados para lavar as narinas em casos de sinusite ou alergia. A orientação das autoridades de saúde dos Estados Unidos é usar apenas água destilada, esterilizada ou fervida e depois resfriada. A água da torneira contaminada já foi ligada a casos raros da doença. Em 2025, uma mulher de 71 anos morreu no Texas depois de usar um desses frascos abastecido com água de um trailer.




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