Paraná lidera produção nacional de mel, e Bituruna está entre os maiores produtores do estado
Estado responde por 14,6% do mel brasileiro e já exporta para Estados Unidos, Canadá e Alemanha; projeto Orgulho Paraná reúne produtores de várias regiões em vitrine especial na capital
Foto: Gilson Abreu/AEN O Paraná é o maior produtor de mel e derivados do Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, das 67,3 mil toneladas produzidas no país, 9.823 toneladas saíram do estado, o equivalente a 14,6% do total nacional. O Valor Bruto da Produção (VPB) paranaense atingiu R$ 180,8 milhões, quase 18% dos R$ 1 bilhão gerados em todo o Brasil. Entre os municípios que mais se destacam na atividade estão Arapoti, Prudentópolis, Ortigueira, Wenceslau Braz e Bituruna.
O produto que já conquistou mercados internacionais, principalmente Estados Unidos, Canadá e Alemanha, ganha agora uma vitrine especial em Curitiba. A sede do Sistema FAEP recebe, nos meses de julho e agosto, o projeto Orgulho Paraná, que nesta edição expõe mel, própolis, hidromel e artesanato de sete propriedades de diferentes regiões. A apicultura estadual é a sétima cultura a integrar a iniciativa, que já destacou café, geleias, erva-mate, vinhos, grãos e queijo.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o projeto é uma demonstração da força e qualidade da produção agropecuária do Paraná. "É uma oportunidade para o produtor mostrar os seus produtos, a variedade, a origem e a identidade do trabalho que o campo desenvolve com excelência", afirma.
Força da apicultura estadual
O Paraná é o terceiro maior exportador de mel do país. Em 2025, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, foram embarcadas 5,9 mil toneladas, gerando receita de US$ 20 milhões. Esse desempenho reflete o trabalho de apicultores espalhados por todas as regiões, muitos deles participantes do projeto Orgulho Paraná.
Os produtores e suas histórias
Em Ortigueira, Fábio Alexandre Siqueira produz mel desde 2018. A família mantém 450 caixas, sendo 210 em produção com abelhas mistas (Europa africanizada). Com a ajuda da esposa e dos três filhos, chega a colher até 15 quilos por colmeia. Atualmente entrega a produção em entreposto, mas espera que a vitrine abra portas para a venda direta. "Na próxima leva de mel, inclusive, vou buscar a Identificação Geográfica do produto para agregar valor e vender mais", conta.
Também em Ortigueira, Rafael Alves da Silva trabalha com a família em 500 colmeias. Ele e o pai cuidam do manejo, enquanto a esposa é responsável pelos derivados: cera, própolis, hidromel, velas artesanais e cosméticos. "O diferencial do nosso produto está na região onde é produzido, que tem indicação geográfica com denominação de origem. É um mel mais claro, único em sabor e coloração, atestado por pesquisas", diz. Em boas condições climáticas, a produção chega a 15 a 20 toneladas por ano, comercializadas na região e no Norte do Estado, incluindo programas institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos e a merenda escolar.
Em Imbaú, a Granja Morada está na apicultura há 52 anos. Benjamin Alves Ferreira Júnior e a esposa Sirlei mantêm 300 caixas de abelhas mestiças e Meliponas (abelhas sem ferrão), produzindo 2,7 mil quilos de mel por ano. A venda é feita para mercados e restaurantes da região. "Ter o produto em vitrine é sempre positivo, pois divulga o trabalho, o produto, e agrega conhecimento e valor", afirma Benjamin, que também constrói e vende caixas para outros apicultores em sua marcenaria.
Em Tuneiras do Oeste, Carlos Augusto Alves dedica-se à apicultura há cerca de dez anos. Com 100 colmeias de abelhas Europa, produziu 2 mil quilos de mel em 2026, entregues nos mercados de Tuneiras e municípios vizinhos. Ele divide o tempo com a pecuária de leite e espera que a exposição na capital abra novos mercados. "Espero que essa oportunidade abra portas para eu vender meu produto para outras regiões do Estado", comenta.
Já em Realeza, no Sudoeste, Silvana Damin trabalha com apicultura e meliponicultura. Com a irmã Andressa e o marido, mantém 20 colmeias de abelhas europeias e outras 20 de abelhas sem ferrão (Jataí, Mandaçaia e Canudo). Além da produção de mel, própolis e cera, a família investe em derivados como mel composto (com nozes ou castanhas), cosméticos e artesanato (velas e panos encerados). Silvana e a irmã também são instrutoras do Sistema FAEP, ministrando cursos nas regiões Sudoeste e Campos Gerais. "Temos como um dos nossos pilares a inovação, buscando produtos diferenciados que venham atender necessidades dos clientes", conta. "Esperamos que o projeto Orgulho Paraná possa amplificar a exposição dos produtos das abelhas, mostrando as possibilidades de derivados que nem todos conhecem."
Além da vitrine
O Sistema FAEP mantém um portfólio de cursos voltados à apicultura e meliponicultura. São cinco formações específicas e um curso sobre o uso do mel na gastronomia, que fazem sucesso entre produtores e familiares, surpreendendo o público com a diversidade de produtos que podem ser obtidos a partir do mel, da própolis e da cera. Os participantes do projeto Orgulho Paraná são indicados pelos sindicatos rurais, fortalecendo a representatividade da produção de cada região.



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