Mais da metade das cidades do Paraná não tem estrutura para enfrentar desastres climáticos, aponta TCE
Levantamento mostra que 70% dos municípios não têm sistema próprio de alerta de riscos e 68% não possuem servidores exclusivos na Defesa Civil; estado registrou 574 desastres e 27 mortes em 2025
Foto: Carlos Eduardo Mais da metade dos 399 municípios paranaenses não possui estrutura física para enfrentar desastres climáticos, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR). Os dados foram compilados a partir de questionários respondidos pelas prefeituras e revelam fragilidades que vão desde a falta de equipamentos básicos até a ausência de sistemas de alerta para a população.
Em 2025, o Paraná registrou 574 desastres, que afetaram 246 municípios, atingiram 292.237 pessoas e resultaram em 27 mortes, conforme a Defesa Civil. Apesar desse cenário, 70,93% das cidades não contam com sistema próprio de alerta de riscos capaz de alcançar toda a população, como carros de som, megafones, rádios ou grupos de WhatsApp.
A carência de pessoal também preocupa: 68,17% dos municípios não possuem servidores dedicados exclusivamente às atividades de Defesa Civil. A estrutura física é outro gargalo — 60,9% não têm sala equipada com computador e internet de uso exclusivo para o setor. Em metade das cidades, a Defesa Civil não dispõe de veículo capaz de acessar áreas remotas, e 55,64% não possuem telefone exclusivo para atendimento ao cidadão.
"Nós sabemos a dificuldade de pessoal que existe nos municípios. Nesse momento, a gente tem que mostrar a importância que isso traz na fase preventiva. Caso aconteça algo no município, ele vai ter que mobilizar essa estrutura de recursos humanos e logísticos para poder dar atendimento", afirma o coronel Ivan Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil Estadual.
Avaliação de políticas públicas
Os dados fazem parte do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov), que mede a eficácia das políticas públicas implementadas pelas prefeituras. Desde 2025, o programa incorporou a área ambiental, que inclui estruturação da Defesa Civil, prevenção de desastres e enfrentamento das mudanças climáticas.
As notas entre os municípios variam drasticamente. Entre os mais bem avaliados estão Pinhais (7,64), Curitiba (7,63) e Terra Roxa (7,06). Na outra ponta, Guamiranga (0,48), Doutor Ulysses (0,62) e Pranchita (0,78) têm índices próximos de zero.
"A lógica do processo é que os municípios tentem buscar melhorias contínuas ano a ano. Se ele está com a nota baixa em 2025, se espera que ele tenha melhoria em 2026", explica João Halberto Maciel, gerente do Progov.
O TCE-PR disponibiliza um painel interativo no site do órgão para que cidadãos e gestores comparem a evolução das políticas públicas em cada município ao longo dos últimos três anos.



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