Inquérito sobre acidente que matou 23 pessoas na BR-373 aponta falhas dos dois motoristas
Polícia Civil concluiu que colisão frontal entre caminhão e micro-ônibus da Saúde foi provocada por excesso de velocidade, uso de celular e falta de manutenção; como ambos os condutores morreram, não haverá responsabilização criminal
Foto: PRF Informações de Portal g1
A Polícia Civil do Paraná concluiu as investigações sobre o acidente entre um caminhão e um micro-ônibus que matou 23 pessoas na madrugada de 19 de agosto na BR-373, entre Imbituva e Ipiranga, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo a delegada Ingrid Priotto, responsável pelo inquérito, as provas apontam que a colisão frontal foi provocada por uma combinação de fatores envolvendo os dois veículos.
A delegada afirma que ambos os motoristas estavam acima da velocidade máxima permitida na rodovia e que o caminhão estava sem a manutenção necessária, com desgastes nos freios. Ela também acredita que, quando invadiu a contramão e bateu de frente com o micro-ônibus, o caminhoneiro estava distraído com o celular, devido ao histórico encontrado no aparelho.
Os problemas foram atribuídos exclusivamente aos motoristas e, como ambos morreram, ninguém será responsabilizado criminalmente. As famílias das vítimas podem usar as informações contidas no inquérito para subsidiar processos na área cível. "Como ambos os motoristas que poderiam ser responsabilizados criminalmente faleceram no acidente, não há que se falar em responsabilidade na esfera penal. Contudo, todo o vasto acervo de provas periciais e conclusões coligidas no inquérito servirá para subsidiar e instruir eventuais processos na esfera cível, garantindo amparo legal para ações de reparação e indenização às vítimas e seus familiares", explicou.
O acidente
A colisão aconteceu por volta das 3h30 da madrugada de quarta-feira, 19 de agosto, em um trecho de pistas simples da BR-373, no km 209 da rodovia. O micro-ônibus estava no início da viagem quando, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma carreta que seguia sem carga no sentido oposto invadiu a pista contrária e bateu de frente com o veículo de transporte coletivo.
Vinte e três pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas. A maior parte estava no micro-ônibus, que era da Secretaria Municipal de Saúde e levava pacientes de Imbituva para atendimento médico na capital e na região metropolitana de Curitiba. Das 27 pessoas que estavam no micro-ônibus, apenas cinco sobreviveram: um menino de 6 anos, uma mulher de 26 e três homens, de 22, 49 e 50 anos. Todos ficaram feridos, passaram por atendimento médico e receberam alta.
O acidente matou 22 ocupantes do micro-ônibus, incluindo o motorista, e também o motorista do caminhão, que era de Castro (PR). Entre as vítimas, estão duas crianças e 21 adultos, sendo 13 mulheres e 8 homens.
Irregularidades no caminhão
De acordo com a delegada Ingrid Priotto, as perícias revelaram falhas graves na condução e manutenção do caminhão. Dados de telemetria apontaram que o veículo trafegava a 80 km/h instantes antes da batida, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h, e que o veículo apresentava desgaste que reduzia a eficiência da frenagem.
A investigação também trouxe um dado relevante: o motorista do caminhão conectou-se ao aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. Para a Polícia Civil, é plausível que o condutor estivesse distraído com o uso do aparelho celular no exato momento em que invadiu a contramão.
Excesso de velocidade do micro-ônibus
Para a delegada, o micro-ônibus também teve participação decisiva para a gravidade da tragédia. O laudo extraído do cronotacógrafo digital do coletivo indicou que o veículo transitava a 101 km/h no momento do impacto, excedendo em 41 km/h o limite regulamentar da rodovia.
O depoimento de um dos passageiros sobreviventes corroborou os dados técnicos, relatando que o ônibus havia saído de Imbituva com 20 minutos de atraso e que o motorista dirigia de forma apressada.



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