Briga em campo vira investigação sobre injúria racial em Guarapuava
Partida válida pela Taça FPF teve agressão, denúncia de ofensa racista e acionamento do protocolo antirracismo; Polícia Civil abriu inquérito
Foto: Reprodução GUARAPUAVA - Uma briga em campo durante a Taça FPF (Federação Paranaense de Futebol) acabou se tornando caso de polícia no último sábado (4), em Guarapuava. O jogador Paulo Vitor, do Nacional Atlético Clube, agrediu o adversário Diego Gustavo Rodrigues de Lima, do Batel Guarapuava, após afirmar ter sido chamado de “macaco” durante a partida.
A agressão foi registrada pela transmissão oficial, e o protocolo antirracismo foi imediatamente acionado, interrompendo o jogo. O árbitro relatou o caso em súmula, e a situação foi registrada em boletim de ocorrência.
Segundo o relato, o episódio aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo. Após o soco, Diego caiu no gramado com sangramento e precisou de atendimento médico. A ambulância foi acionada, e a partida ficou parada por cerca de 17 minutos, até a chegada de uma nova equipe de socorro.
Paulo Vitor foi expulso por agressão e, logo em seguida, relatou ao árbitro ter sido vítima de injúria racial. O adversário, Diego, nega ter feito ofensa racista, afirmando em entrevista que usou outra palavra após o colega cuspir em sua direção.
Consequências e investigações
Após o jogo, o Batel anunciou o desligamento de Diego do elenco, informando que ele estava emprestado pelo Laranja Mecânica, de Arapongas. O Nacional Atlético Clube publicou nota repudiando qualquer ato de racismo, enquanto a Federação Paranaense de Futebol (FPF) afirmou que o caso foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR).
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o crime de injúria racial. Em nota, informou que os jogadores foram ouvidos e que as equipes seguem analisando imagens da partida para esclarecer os fatos.
O jogo
A partida terminou com vitória do Batel por 1 a 0, resultado que eliminou o Nacional da competição. A Taça FPF garante vaga na Copa do Brasil 2026 e reúne dez clubes paranaenses, entre eles Athletico e Coritiba, que disputam o torneio com elencos alternativos.
O protocolo aplicado no jogo foi criado pela CBF, com base nas recomendações da FIFA em 2024. Ele prevê três etapas:
1️⃣ Paralisação da partida com anúncio público sobre o motivo;
2️⃣ Interrupção temporária e recolhimento dos times aos vestiários, caso a conduta continue;
3️⃣ Cancelamento definitivo do jogo, se o incidente persistir.
O objetivo é garantir resposta imediata e visibilidade a casos de racismo dentro de campo.

Fifa elaborou um protocolo a respeito de casos de racismo ocorridos em campo - Foto: Reprodução
Notas oficiais
Veja, abaixo, as notas oficiais emitidas pelos envolvidos na situação:
Batel Guarapuava
"O Batel Guarapuava informa que, após apresentar-se às autoridades competentes em relação à ocorrência registrada na partida de ontem, contra o Nacional, o atleta envolvido foi imediatamente desligado de suas atividades e não integra mais o elenco profissional do clube.
O Batel reafirma seu compromisso com o respeito, a igualdade e os direitos humanos, repudiando veementemente qualquer forma de preconceito, racismo ou discriminação.
O clube continuará colaborando integralmente com as autoridades, para que os fatos sejam esclarecidos e as medidas legais cabíveis sejam devidamente aplicadas".
Nacional Atlético Clube
"O Nacional Atlético Clube vem a público manifestar seu total repúdio a qualquer ato de racismo.
Durante a partida deste sábado (04), válida pela 3º rodada da Taça FPF 2025, no minuto 40:57 do segundo tempo, o nosso atleta PV foi vítima de uma ofensa racista praticada pelo jogador nº 8 da equipe do Batel, Diego.
O racismo é crime e não pode ser tolerado em hipótese alguma. Esse tipo de atitude fere não apenas o nosso atleta, mas também os valores do esporte e da sociedade.
O clube repudia com veemência qualquer ato discriminatório e reforça seu compromisso na luta por um futebol limpo, justo e igualitário, onde respeito e dignidade sejam prioridades.



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