Cansaço físico x habilidade técnica: estudo revela impactos de substituir caneta e papel por teclados nas escolas
Pesquisa australiana com mais de 500 alunos indica que estudantes preferem o computador, mas se sentem mais capazes escrevendo à mão; especialistas defendem ensino equilibrado
Foto: Thomas Park/Unsplash Um estudo com mais de 500 alunos do ensino fundamental na Austrália mostrou que, embora a maioria prefira usar computadores em sala de aula, os estudantes relatam sentir-se mais competentes quando escrevem à mão. A pesquisa aponta também que, no meio digital, a qualidade da produção escrita depende mais da habilidade técnica no teclado do que da motivação.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Edith Cowan University, sob a liderança da Dra. Anabela Malpique. O trabalho avaliou atitudes, motivação e desempenho de crianças em tarefas de composição escritas à mão e no computador, comparando produtividade e qualidade textual entre os dois formatos.
Os principais achados mostram que:
- Alunos demonstraram atitude positiva em relação ao uso de computadores, mas ainda se sentem mais "capazes" ao escrever com caneta e papel.
- Para a escrita digital, a variável que mais influencia desempenho é a "automaticidade no teclado" — ou seja, rapidez e fluência ao digitar — e não simplesmente gostar de usar o computador.
- Crianças relataram cansaço físico associado à escrita à mão ("dói a mão"), enquanto apontaram dificuldades técnicas no digital (localizar letras, coordenação motora ao digitar), que geram frustração e lentidão.
A pesquisadora explicou que atitudes negativas em relação à caligrafia tendem a prejudicar a performance em tarefas manuscritas, mas que gostar do computador não é suficiente para garantir bons resultados digitais sem treino técnico.
A transição para avaliações digitais nas séries iniciais vem acelerando em diversos países. Na Austrália, por exemplo, exames nacionais passam a ser realizados em formato digital a partir do 3º ano, o que motiva escolas a prepararem os alunos para a nova rotina. Especialistas ouvidos pelos autores defendem uma abordagem equilibrada no ensino: desenvolvimento de habilidades psicomotoras da escrita manual e treinamento específico de digitação, além de ações que fomentem crenças motivacionais positivas.



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