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Bituruna,05/03/2026

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Obesidade infantil: médica pede 30% de imposto em bebidas açucaradas e veto a ultraprocessados nas escolas

Projeção global indica 507 milhões de estudantes com excesso de peso até 2040; no Brasil, 33% das crianças já estão acima do ideal, e estudo aponta risco precoce de infarto e AVC ainda na infância.

Fonte: Portal g1
Obesidade infantil: médica pede 30% de imposto em bebidas açucaradas e veto a ultraprocessados nas escolas Foto: Adobe Stock

Especialistas em saúde pública alertam para o avanço acelerado da obesidade infantil no Brasil e no mundo. Dados do Atlas Mundial da Obesidade projetam que, até 2040, 507 milhões de crianças em idade escolar estarão com sobrepeso ou obesidade globalmente. No Brasil, o cenário já é preocupante: 33% das crianças e adolescentes apresentam excesso de peso, e 13% já têm obesidade, segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan).

Para frear o avanço da doença, a endocrinologista Maria Edna de Melo, chefe da Liga de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas da USP e representante da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), defende medidas estruturais urgentes, como a criação de um imposto de 30% sobre bebidas açucaradas e a proibição da venda de ultraprocessados em escolas públicas e privadas de todo o país.

A médica alerta que a obesidade infantil já não é mais uma questão estética ou futura, mas sim uma emergência de saúde presente. Estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicado no International Journal of Obesity, identificou sinais precoces de inflamação e disfunção do endotélio – camada que reveste os vasos sanguíneos – em crianças com sobrepeso e obesidade. O achado reforça que o risco de aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) começa muito antes do que se imaginava.

"Nas últimas décadas, houve mudanças no sistema alimentar, com maior oferta e acesso a produtos mais calóricos e ultraprocessados. Nós comemos mais calorias, com mais facilidade. E esse excesso de energia vai se acumulando na forma de gordura", explica Melo. A médica destaca que o crescimento da obesidade é mais intenso entre populações de baixa renda, e que a escolha alimentar não é tão livre quanto parece: "Existe marketing, existem custos. Os ultraprocessados são cada vez mais acessíveis, enquanto frutas, verduras e legumes ficaram mais caros. A inflação das frutas já foi mais de 40% maior que a dos refrigerantes".

No ambiente escolar, o problema se agrava. Enquanto escolas que recebem verba federal são obrigadas a usar os recursos apenas com alimentos saudáveis, as escolas privadas ainda não possuem regulamentação nacional para cantinas. Projetos de lei em tramitação no Senado propõem regras mais rígidas para todas as instituições de ensino, mas a médica defende que a proibição deveria valer já.

Sobre a publicidade infantil, Melo lembra que discussões sobre a regulamentação da propaganda de ultraprocessados se arrastam há anos sem que uma lei tenha sido promulgada. "Não nascemos tomando refrigerante. Reduzir o consumo é uma recomendação das autoridades de saúde pública", afirma.

O impacto da obesidade vai além do físico. Estudos mostram que a qualidade de vida de crianças com obesidade pode ser semelhante ou pior do que a de crianças com câncer, devido ao estigma social, ao bullying e ao isolamento. "Enquanto a criança com câncer tende a ser acolhida, a criança com obesidade é responsabilizada pela própria condição. Transferir a responsabilidade para a criança é inaceitável. É uma tarefa da sociedade", defende a endocrinologista.

Atualmente, estima-se que 16,5 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos estejam com sobrepeso ou obesidade no Brasil. A projeção para 2040 é que o percentual ultrapasse 50% dessa faixa etária. A médica também alerta para estudos que indicam que uma criança com obesidade grave aos 5 anos pode ter expectativa de vida de apenas 43 anos.




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