Brasil perde acesso ao mercado europeu de carnes e pode deixar de exportar quase US$ 2 bilhões
União Europeia exclui Brasil de lista sanitária por falta de garantias sobre antimicrobianos; medida afeta carne bovina, de frango, mel, ovos e outros produtos a partir de setembro.
Foto: Assessoria/Portal G1 A União Europeia (UE) publicou nesta terça-feira (12) uma atualização da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil.
A lista define quais nações poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para o bloco a partir de 3 de setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária. O bloco é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, e a restrição pode representar perdas de até US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,4 bilhões) por ano.
Em 2025, a UE comprou 368,1 mil toneladas de produtos cárneos do Brasil, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão, segundo o Ministério da Agricultura. Só em carne bovina, foram US$ 1,048
bilhão, com 128 mil toneladas exportadas. A carne de frango atingiu US$ 762 milhões, com 230 mil toneladas. Outros itens como mel (US$ 6 milhões) e ovos também serão afetados.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil poderá deixar de exportar bovinos, equinos, aves, ovos, produtos de aquicultura, mel e invólucros. Para voltar à lista, o país precisa garantir o cumprimento dos requisitos da UE sobre antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. "Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações", disse.
Os antimicrobianos proibidos pela UE são: virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.



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