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Bituruna,25/05/2026

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Uso de insulina para ganho muscular: entenda por que a prática é perigosa e pode levar à morte

Especialistas alertam que a substância, usada por fisiculturistas para acelerar o crescimento de músculos, pode causar hipoglicemia grave, coma e danos cerebrais irreversíveis.

Fonte: Portal G1
Uso de insulina para ganho muscular: entenda por que a prática é perigosa e pode levar à morte Foto: Reprodução

A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de 22 anos, encontrado sem vida no último sábado (23) em São Paulo, reacendeu um alerta importante na área da saúde. O uso de insulina para ganho de massa muscular, uma prática ilegal e perigosa, é investigado como possível causa do óbito e acende a discussão sobre um risco que muitos desconhecem. Apesar de ser um medicamento essencial e seguro para o tratamento de diabetes, a aplicação indevida por pessoas saudáveis pode causar hipoglicemia grave, levando a desmaios, convulsões, danos cerebrais permanentes e até a morte em poucas horas.

O próprio Gabriel já havia relatado publicamente os efeitos colaterais que sentiu após aderir ao uso do hormônio. "Só que aí, mano, começou a me dar muita confusão mental", contou em um vídeo. Um áudio atribuído a um amigo do atleta e obtido pela CNN também relata uma possível crise de hipoglicemia — queda brusca dos níveis de açúcar no sangue — logo após a aplicação de insulina na noite anterior à sua morte.

"O que torna a prática extremamente arriscada é a janela de ação", explica o endocrinologista Carlos Eduardo Barra. "Dependendo do tipo de insulina usada, o pico de efeito pode ocorrer em minutos ou horas, e se a pessoa não ingerir carboidratos na quantidade e no momento exatos, a glicose despenca. A vítima pode perder a consciência sem tempo de pedir socorro."

Por que a insulina é perigosa para quem não precisa?

A insulina é um hormônio naturalmente produzido pelo pâncreas, responsável por transportar a glicose do sangue para dentro das células, onde é usada como fonte de energia. Quando aplicada em altas doses por quem não tem diabetes, ela desvia quase todo o açúcar da corrente sanguínea para os músculos, deixando o cérebro — que depende exclusivamente da glicose para funcionar — sem combustível.

"O principal risco é a hipoglicemia severa. Isso pode levar rapidamente à perda de consciência, convulsão, coma e até à morte", reforça o endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador da Unicamp. Entre os principais perigos do uso não médico de insulina estão:

    - Hipoglicemia severa, com risco de coma e morte;

    - Danos neurológicos permanentes por falta de glicose no cérebro;

    - Ganho excessivo de gordura corporal, efeito rebote quando a insulina armazena não só proteínas, mas também gorduras;

    - Resistência à insulina a longo prazo, o que pode levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2.

O diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Clayton Macedo, é categórico: "A insulina é um agente anabolizante, mas seu uso não tem respaldo científico nenhum. Usar hormônios sem indicação traz comprometimento do sistema nervoso central, da parte cardiovascular, do fígado e do metabolismo como um todo."

Prática comum em academias

De acordo com o nutrólogo Durval Ribas Filho, a prática é comum em ambientes de academias de fisiculturismo de alto rendimento, muitas vezes combinada com outros hormônios, como o GH e anabolizantes esteroides. "É uma bomba-relógio metabólica. A pessoa acha que está ganhando músculo, mas está brincando com a própria vida", alerta.

A investigação sobre a morte de Gabriel Ganley segue em andamento. A perícia apreendeu diversos medicamentos em seu apartamento, e laudos do Instituto Médico Legal e exames toxicológicos ainda não foram divulgados. O caso reacende o debate sobre a falta de regulamentação e os perigos do uso estético de hormônios, uma prática que tem se popularizado em academias e entre influenciadores fitness.

Especialistas reforçam que não existe dose segura para quem não tem indicação médica. A orientação é buscar acompanhamento profissional e denunciar a venda ilegal do medicamento, que é controlado e deveria ser vendido apenas com receita.




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