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Bituruna,06/08/2026

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Envelhecer no Brasil é mais difícil: perda de autonomia chega 10 anos mais cedo

Análise com mais de 30 mil participantes indica que limitações para tarefas diárias surgem entre os 60 e 69 anos no Brasil, enquanto na Europa aumento significativo aparece só a partir dos 70

Fonte: Portal G1
Envelhecer no Brasil é mais difícil: perda de autonomia chega 10 anos mais cedo Foto: rawpixel.com/Freepik

O declínio funcional relacionado ao envelhecimento começa, em média, uma década mais cedo no Brasil do que na Europa, segundo um estudo que analisou dados de mais de 30 mil pessoas com 50 anos ou mais. A pesquisa aponta que o aumento significativo do risco de dependência para atividades cotidianas surgiu entre os 60 e 69 anos entre os brasileiros. Na Europa, esse crescimento só foi observado na faixa dos 70 aos 79 anos. Os pesquisadores atribuem essa diferença principalmente às desigualdades socioeconômicas.

A pesquisa utilizou informações de 4.825 participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) e de 25.978 pessoas do SHARE, uma das maiores bases de dados sobre envelhecimento na Europa. O objetivo foi identificar os fatores associados ao comprometimento da capacidade funcional, com base no modelo Integrated Care for Older People (ICOPE), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que foi avaliado?

Os pesquisadores mediram a capacidade dos participantes de realizar atividades básicas da vida diária, como tomar banho, vestir-se, alimentar-se e caminhar, e atividades instrumentais, que incluem cozinhar, administrar dinheiro, usar transporte e tomar medicamentos corretamente. Além dessas tarefas, o estudo avaliou diferentes domínios da chamada capacidade intrínseca, como mobilidade, cognição, saúde mental, vitalidade e funções sensoriais.

Fatores que influenciam o envelhecimento

A escolaridade exerceu efeito protetor contra limitações, especialmente entre os brasileiros. Já a presença de múltiplas doenças crônicas aumentou o risco de comprometimento funcional nos dois continentes, mas o impacto foi maior no Brasil. A autoavaliação negativa da saúde também teve associação forte com limitações nas atividades básicas entre os participantes brasileiros.

A percepção de memória ruim esteve associada a um aumento de risco semelhante nas duas populações, sugerindo que a capacidade cognitiva pode ser um determinante universal do declínio funcional. Por outro lado, a força de preensão manual foi um fator protetor mais consistente entre os europeus, e a perda auditiva foi um risco maior para os brasileiros. A depressão aumentou o risco nos dois grupos, mas com impacto mais intenso entre os europeus.

Velocidade de caminhada como marcador

A velocidade de caminhada, avaliada apenas na base brasileira, esteve associada a um maior risco de limitações nas atividades básicas no Brasil, indicando que esse pode ser um marcador importante para o acompanhamento da saúde da população idosa no país.

Estratégias para o envelhecimento saudável

Os autores do estudo defendem que é preciso adaptar as estratégias de promoção do envelhecimento saudável às características de cada país. Entre as medidas sugeridas estão o rastreamento precoce de fatores de risco, programas voltados para fortalecimento muscular e mobilidade, validação cultural dos instrumentos de avaliação funcional e políticas para reduzir desigualdades estruturais, ampliando o acesso à educação, ao tratamento de doenças crônicas e aos serviços de saúde.

O estudo é transversal, o que permite identificar associações, mas não estabelecer relações de causa e efeito. As informações foram obtidas por autorrelato, o que pode introduzir vieses nas análises.




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