Prevenção ao suicídio: Setembro Amarelo reforça o valor da escuta e do cuidado
Especialistas explicam que depressão, ansiedade e outros transtornos não tratados estão entre as principais causas; acolhimento e escuta fazem parte da prevenção
Foto: magnific/Freepik Da redação
O Setembro Amarelo existe para lembrar que o suicídio é um problema de saúde pública e que a maior parte dos casos pode ser prevenida. No Brasil, estima-se que mais de 14 mil pessoas tirem a própria vida por ano, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A campanha nacional, realizada neste mês, busca abrir espaço para que o sofrimento emocional seja falado sem tabu e sem julgamento.
O que está por trás do risco?
O suicídio raramente tem uma única causa. Em geral, está associado a transtornos mentais não diagnosticados ou não tratados, como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno de ansiedade e dependência química. Fatores como perdas recentes, traumas, solidão, desemprego, dívidas, doenças crônicas e histórico familiar também aumentam a vulnerabilidade.
A depressão, por exemplo, não é apenas “estar triste”. Ela provoca alterações no sono, no apetite, na disposição e na capacidade de sentir prazer. A pessoa pode se sentir esgotada, sem esperança e sem motivação até para tarefas simples. Quando esses sintomas persistem por semanas, é preciso procurar ajuda profissional.
Sinais que merecem atenção
Muitas pessoas dão pistas antes de uma tentativa de suicídio. Os sinais mais comuns incluem:
- Frases como “não aguento mais”, “seria melhor sumir”, “vocês ficariam melhor sem mim”
- Despedidas de amigos e familiares
- Isolamento social e perda de interesse em atividades que antes davam prazer
- Alterações bruscas de humor, irritabilidade e agressividade
- Descuidado com a própria aparência ou com a saúde
- Organização de documentos, testamentos ou distribuição de pertences
- Pesquisas na internet sobre métodos
- Uso abusivo de álcool ou drogas
- Tentativas anteriores
Esses sinais não devem ser ignorados nem tratados como “drama” ou “chamada de atenção”. Cada fala ou comportamento pode ser um pedido de socorro.
Como ajudar?
A forma como se conversa com alguém em sofrimento faz diferença. Em vez de frases como “isso é frescura” ou “pense positivo”, o ideal é mostrar presença e escuta ativa. Perguntas diretas e acolhedoras, como “você está pensando em se machucar?” ou “como posso te ajudar?”, podem reduzir a angústia e abrir caminho para o tratamento.
Não se deve deixar a pessoa sozinha em momentos de crise, nem minimizar o que ela sente. O acolhimento, aliado à busca por atendimento profissional, é parte fundamental da prevenção.
Onde procurar ajuda?
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24 horas pelo telefone 188, por chat ou e-mail no site cvv.org.br. O atendimento é feito por voluntários treinados e pode ser acessado por qualquer pessoa, em qualquer cidade.
A rede pública também oferece suporte: Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que deve ser acionado pelo 192 em situações de risco iminente.
Falar é prevenção
Ao contrário do que muitos pensam, falar sobre suicídio de forma responsável não incentiva o ato. A discussão aberta e sem sensacionalismo ajuda a desfazer mitos, reduzir o estigma e incentivar que pessoas em sofrimento busquem tratamento. O silêncio, por outro lado, pode reforçar a sensação de isolamento.
Setembro Amarelo é um convite para que cada pessoa olhe com mais atenção para quem está ao redor. Às vezes, um simples “como você está?” pode ser o início de uma conversa que salva uma vida.



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