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Bituruna,28/09/2026

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Anvisa investiga 13 casos suspeitos de perda de visão em usuários de canetas emagrecedoras

tificações envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro; agência e especialistas reforçam que relação de causa ainda não foi comprovada e que tratamento com indicação médica segue seguro.


Anvisa investiga 13 casos suspeitos de perda de visão em usuários de canetas emagrecedoras Foto: Reprodução/Internet

Informações de Portal g1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que usavam canetas da classe dos agonistas de GLP-1, indicadas para diabetes e obesidade. As informações foram divulgadas pelo g1.

Segundo o levantamento, as notificações envolvem pacientes que usavam Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. Os casos são tratados como suspeitos e estão sendo acompanhados pela Anvisa. A agência ressalta que a presença do remédio e da doença na mesma notificação não comprova que um tenha causado o outro.

A Noia é uma lesão no nervo óptico, estrutura que leva as imagens do olho até o cérebro. Ela ocorre quando os pequenos vasos que irrigam a parte da frente desse nervo entopem, num processo semelhante ao de um infarto. Sem oxigênio e nutrientes, parte das células nervosas morre, e a visão de um dos olhos piora de repente, em geral sem dor. Na maioria dos casos, a perda é definitiva. A doença é rara e aparece com mais frequência em pessoas que já têm os vasos comprometidos, como pacientes com diabetes.

De acordo com o painel de farmacovigilância da Anvisa, desde 2018 o sistema reúne 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica. Dessas, 12 são relacionadas às canetas. As que não envolvem as canetas citam imunomoduladores, remédios contra o câncer, outros antidiabéticos e medicamentos de uso oftalmológico. Entre os agonistas de GLP-1, as notificações se distribuem entre Ozempic (5), Wegovy (3), Wegovy FlexTouch (2), Rybelsus (2) e Mounjaro (1). No sistema, 12 registros citam a semaglutida, princípio ativo de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e um cita a tirzepatida, do Mounjaro.

Em nota ao g1, a Anvisa ressaltou que a presença do remédio e da doença na mesma notificação não comprova que um tenha causado o outro. Na última semana, pacientes nos Estados Unidos processaram a Novo Nordisk por casos de Noia após o uso de semaglutida. Eles argumentam que o medicamento causou a perda de visão, e a empresa nega. Até agora, nenhum estudo provou essa relação. O mais citado, publicado na revista científica JAMA Ophthalmology, analisou mais de 1,6 mil prontuários e observou risco de quatro a sete vezes maior de Noia entre quem recebeu semaglutida, em comparação com usuários de outras medicações. Os próprios autores, porém, consideraram a observação limitada para estabelecer causa e efeito, porque parte dos pacientes tinha diabetes, que por si só pode levar à doença.

Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que o estudo e as análises existentes até agora mostram um aumento do risco, o que não é o bastante para suspender a medicação. Com o número de casos, a Anvisa determinou em junho de 2025 que a Noia passasse a constar na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara. Para especialistas, o número de notificações não configura um sinal de alarme, já que milhões de pessoas usam esses medicamentos e o volume de relatos é pequeno diante desse universo de pacientes.

Quem usa as canetas para tratar obesidade, diabetes ou hipertensão segue tendo mais a ganhar do que a perder, segundo os especialistas. O aumento de risco sugerido pelos estudos é pequeno, enquanto essas doenças são ameaças comprovadas à saúde. O próprio monitoramento existe para proteger o paciente: relatos de efeitos adversos são registrados e investigados, e os casos só deixam de ser suspeitos quando há evidência de relação com o remédio, algo que as pesquisas feitas até aqui não estabeleceram. A inclusão na bula tem função preventiva: quem já teve Noia não deve usar o medicamento. As sociedades médicas também recomendam a suspensão para quem apresenta perda súbita ou recente da visão. Pacientes com diabetes em tratamento devem fazer exames de retina periódicos.

O cuidado maior, segundo os especialistas, vale para o uso sem indicação médica, cada vez mais comum desde que as canetas ganharam apelo estético. "Todo remédio tem pequenos riscos e o benefício tem que ser maior do que o risco. Então, se alguém vai tomar esse remédio sem necessidade, só por vaidade, talvez não deva tomar", afirma o oftalmologista Rubens Belfort Neto, doutor e pós-doutor pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O que dizem as empresas?

A Novo Nordisk afirmou que a semaglutida foi estudada em múltiplos programas de desenvolvimento clínico robustos, com exposição total proveniente do uso pós-comercialização de mais de 49 milhões de pacientes/ano. Em análise agrupada de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, com liraglutida e semaglutida, identificou um número muito baixo de casos de Noia confirmados por oftalmologistas e não demonstrou aumento na incidência em participantes que receberam semaglutida. A empresa entende que o perfil de benefício-risco da semaglutida permanece favorável e que a segurança do paciente é prioridade máxima.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que a segurança dos pacientes é a principal prioridade e que monitora, avalia e reporta ativamente às autoridades regulatórias as informações de segurança relacionadas a todos os seus medicamentos. A empresa mantém discussões contínuas com as autoridades sobre possíveis temas de segurança e continuará avaliando os dados, incluindo informações relacionadas a questões oftalmológicas.




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