Após crise bancária, presidente do Paraguai pede desculpas e renuncia ao cargo
Conservador e eleito em 2023, ele era alvo de um processo de impeachment por suposta ligação com a falência do banco Ueno, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro. Vice, Pedro Alliana, assume o posto.
Foto: Reprodução/X O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5) em meio a uma grave crise bancária. A decisão ocorre enquanto o Congresso havia iniciado uma sessão extraordinária para debater um pedido de impeachment, que ganhou apoio tanto da oposição quanto da base governista.
Peña, que é economista e assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo controlador do banco digital Ueno até março do ano passado. A instituição encerrou as atividades na última terça-feira (3) após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação por insuficiência de recursos. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses e de o Banco Central ter encoberto irregularidades no processo. O banco possuía cerca de 3 milhões de correntistas e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Em um vídeo divulgado à população, Peña pediu desculpas aos cidadãos que perderam o acesso ao próprio dinheiro e justificou a saída. "Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim", declarou. Ele afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país e na preservação das instituições democráticas.
Quem assume e os desdobramentos jurídicos
Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana assume a presidência. Ele também era alvo de um pedido de impeachment, mas a Câmara dos Deputados rejeitou a solicitação contra ele.
A crise financeira também gerou ações na Justiça. Executivos do banco Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria. O Ministério Público formalizou acusações contra 27 pessoas ligadas à instituição financeira, e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos envolvidos.



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