Terremoto raso pode ter provocado deslizamento e enchente devastadora na fronteira entre Nepal e Tibete
Tremor de magnitude 4,4 foi registrado minutos antes da inundação; autoridades apuram relação e monitoram risco de nova cheia no Himalaia
Foto: MÍDIA SOCIAL/via REUTERS Fonte: Portal g1
Um terremoto de magnitude 4,4 com epicentro a 10 quilômetros de profundidade foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, pouco antes da enchente repentina que atingiu a área nesta quarta-feira (26). O desastre deixou mortos e desaparecidos.
Autoridades locais ainda não confirmaram relação direta entre o tremor e o rompimento no rio Bhote Koshi. No entanto, a proximidade temporal entre os eventos chamou atenção e está entre os pontos investigados.
O tremor ocorreu às 8h37 da manhã, minutos antes de imagens de segurança registrarem a avalanche de gelo e rochas que atingiu a passagem de terra entre os dois países.
A suspeita é de que o tremor tenha desencadeado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, do lado nepalês, provocando as inundações. A região havia passado por chuvas intensas antes, e o gelo acumulado estava represado. Com o tremor, esse gelo se rompeu e a água foi liberada com força, sem que houvesse previsão.
Especialistas destacam que o tremor foi raso, com foco a apenas 10 quilômetros da superfície. Quanto mais próximo da superfície é o foco de um tremor, menos energia se dissipa antes de atingir o solo, o que intensifica os efeitos.
Risco de nova enchente
Parte do gelo e das rochas que se desprenderam no rio Lhende Khola formou um novo bloqueio mais acima, antes das áreas já atingidas. Esse tipo de barreira funciona como uma represa improvisada: a água se acumula atrás dela até a pressão romper a estrutura, liberando outro volume repentino de água e detritos. As autoridades monitoram essa possibilidade.
O risco não se limita ao Nepal. O rio Lhende Khola nasce no Himalaia e desce em direção às planícies, alimentando rios que atravessam a fronteira até a Índia. Alertas de cheia foram emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, centenas de quilômetros abaixo.
Destruição no porto de Gyirong
Uma câmera de vigilância registrou o momento em que o deslizamento atingiu o porto de Gyirong, do lado chinês. As imagens mostram pessoas correndo segundos antes da terra atingir a estrutura e levar caminhões e ônibus estacionados.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o deslizamento interrompeu estradas, comunicações e energia na região de Shigatse. O porto de Gyirong fica às margens do rio Kyirong Tsangpo e é a principal passagem terrestre entre a China e o Nepal.
Vítimas e desaparecidos
No Nepal, o distrito de Rasuwa foi um dos mais atingidos. Pelo menos nove pessoas morreram, segundo balanço preliminar, mas o número pode subir.
O Conselho de Turismo do Nepal informou que 384 viajantes estão desaparecidos, sendo 291 estrangeiros. Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas.
O primeiro-ministro Balendra Shah afirmou que policiais e militares atuam nos esforços de resgate. A causa da inundação ainda não foi oficialmente confirmada, mas caso semelhante no mesmo rio em 2025 foi atribuído ao esvaziamento de um lago glacial.



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