Cepa rara de hantavírus que se transmite entre humanos é confirmada em passageiros de cruzeiro
Três mortes já foram registradas em navio com 147 pessoas a bordo (88 passageiros e 59 tripulantes).
Foto: AFP O Ministério da Saúde da África do Sul confirmou, nesta quarta‑feira (6), que a cepa de hantavírus identificada em passageiros de um cruzeiro é a variante andina, a única conhecida que pode ser transmitida entre humanos. O navio MV Hondius, com 147 pessoas (88 passageiros e 59 tripulantes), tornou‑se um foco da doença, com três mortes já registradas.
“Os testes iniciais mostram que se trata, de fato, da cepa andina. Esta é a única, entre as 38 conhecidas, capaz de ser transmitida de uma pessoa para outra”, explicou o ministro da Saúde sul‑africano, Aaron Motsoaledi, durante uma comissão parlamentar. A expedição partiu de Ushuaia (Argentina) em 1º de abril e seguia para o arquipélago de Cabo Verde, na costa oeste da África. Um dos passageiros transferido para Joanesburgo morreu; outros dois – um casal holandês e uma mulher alemã – também não resistiram.
Navio isolado e evacuação
Cabo Verde informou que está em andamento uma operação para evacuar três pessoas infectadas para a capital, Praia. A Espanha, por sua vez, anunciou que se opõe ao atracamento do navio nas Ilhas Canárias. As autoridades espanholas barram a entrada da embarcação no arquipélago, após o Ministério da Saúde do país informar que o navio pretendia ancorar em Tenerife.
Caso confirmado na Suíça
O Ministério da Saúde suíço confirmou que um passageiro do mesmo navio está hospitalizado em Zurique. O paciente havia viajado à América do Sul no fim de abril e embarcado no cruzeiro. Ele procurou o hospital após apresentar sintomas e foi imediatamente isolado. Sua esposa, assintomática, também entrou em isolamento por precaução. As autoridades suíças avaliam que o risco para a população local é baixo e consideram improvável o surgimento de novos casos no país.
Transmissão
A transmissão da variante andina, segundo o Ministério da Saúde suíço, só ocorre em situações de contato próximo, sendo rara. Diferentemente dos hantavírus europeus (transmitidos por roedores), a cepa andina pode ser passada de pessoa para pessoa. O período de incubação varia de uma a oito semanas. Em caso de síndrome pulmonar por hantavírus, os sintomas iniciais (febre, calafrios, dores musculares, dor de cabeça) podem evoluir para problemas respiratórios graves, com risco de vida.



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