'Taxa das blusinhas': o que muda com o fim do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50
Medida provisória assinada por Lula na terça-feira (12) elimina imposto de importação de 20%; especialistas preveem queda imediata nos preços
Foto: pressfoto/Freepik O governo federal anunciou o fim da chamada "taxa das blusinhas", imposto de importação de 20% que incidia sobre compras internacionais de até 50 dólares. A medida foi formalizada por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e portaria do Ministério da Fazenda, com publicação no Diário Oficial da União na terça-feira (12). A isenção entrou em vigor na mesma data.
Na prática, a decisão afeta diretamente compras feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o fim do imposto deve ter impacto imediato nos preços. "O efeito tende a ser imediato, com produtos importados — muitos deles vindos da China — ficando mais baratos sem a incidência desse imposto", diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
O que muda no bolso?
Com o fim da taxa, as compras de até 50 dólares passam a ter apenas a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O imposto estadual é de 17% na maioria dos estados, mas chega a 20% em dez unidades da federação.
Um exemplo prático: uma compra de 50 dólares que antes custava 72,29 dólares (cerca de 354 reais, considerando a cotação do dólar a 4,89 reais) passa a custar 60,24 dólares (aproximadamente 295 reais) — uma redução de quase 60 reais.
"Com o fim do imposto de importação, a cobrança ficará restrita ao ICMS. Com isso, o preço final tende a cair imediatamente. Os e-commerces também vão se ajustar rapidamente para retirar a cobrança no momento da compra", afirma o especialista em comércio exterior Jackson Campos.
Impacto na indústria nacional
A medida, no entanto, é criticada por entidades do setor produtivo. O economista-chefe da consultoria Análise Econômica, André Galhardo, avalia que o fim da taxa tende a prejudicar empresas brasileiras, especialmente o setor de moda, ao dificultar a concorrência com produtos importados mais baratos.
"Não por acaso, países da União Europeia e os próprios Estados Unidos também passaram a taxar remessas de pequeno valor recentemente, justamente para tentar reduzir essa enxurrada de produtos asiáticos baratos", acrescenta.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) classificou a decisão como um "grave retrocesso econômico" e um "ataque direto à indústria e ao varejo nacional". "É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro", afirmou a associação.
A taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, e foi criada na gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda. Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou 1,78 bilhão de reais com o imposto, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025. Em 2025, a arrecadação total foi de 5 bilhões de reais.



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