Casos graves de Influenza dobram no Brasil; saiba quando o Tamiflu é indicado e como se proteger
Infectologistas defendem início precoce do antiviral para reduzir complicações; vacinação segue como principal forma de prevenção contra casos graves.
Foto: Adobe Stock O Ministério da Saúde registrou 6.760 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à Influenza entre janeiro e abril de 2026, contra 3.374 no mesmo período do ano passado. O aumento de 100,4% acendeu o alerta em todo o país, inclusive na região de Bituruna. A circulação do vírus foi antecipada este ano, e especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, do uso correto do antiviral Tamiflu e, principalmente, da vacinação.
A vacina segue como a principal forma de prevenção. Mais de 26,4 milhões de doses já foram aplicadas no Brasil, sendo 16,9 milhões nos grupos prioritários: crianças, gestantes e idosos. Na região de Bituruna, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) mantêm a vacina disponível para esses públicos. A recomendação é que a população procure a unidade mais próxima para atualizar a caderneta de vacinação.
Quando o Tamiflu deve ser usado
O antiviral oseltamivir, conhecido como Tamiflu, tem eficácia comprovada quando iniciado nas primeiras 48 horas dos sintomas. De acordo com infectologistas ouvidos pelo g1, ele pode reduzir o tempo de doença, diminuir complicações e até evitar hospitalizações e mortes em grupos de risco. O Ministério da Saúde estima que o remédio pode reduzir em até 38% o risco de morte.
Entre os benefícios apontados por estudos estão a redução de cerca de um dia na duração dos sintomas, queda de 52% nas hospitalizações e diminuição de 18% na mortalidade entre idosos. O médico infectologista da Fiocruz André Siqueira reforça que o maior risco é não tratar uma influenza em quem pode complicar.
O protocolo do Ministério da Saúde prioriza o uso em pessoas com risco de agravamento: idosos, gestantes, imunossuprimidos e pacientes com doenças crônicas. No entanto, a indicação formal é para qualquer pessoa com diagnóstico de influenza.
Como diferenciar gripe de outras infecções
Os especialistas explicam que a influenza costuma ter início súbito, febre alta, dores intensas no corpo e maior prostração. Já o resfriado tende a ser mais leve, com coriza predominante. A Covid-19 pode ter sintomas semelhantes aos da gripe. Por isso, o contexto clínico e os fatores de risco são mais importantes do que tentar diferenciar as doenças apenas pelos sintomas.
Os sinais de gravidade que exigem atendimento médico imediato incluem: falta de ar, respiração acelerada, dor no peito, febre persistente ou que retorna após melhora, confusão mental, sonolência excessiva e piora importante do estado geral. Em crianças, os alertas são dificuldade respiratória, recusa alimentar e gemência.
Acesso ao teste e ao medicamento
O acesso ao teste para identificar o vírus ainda é limitado em muitos serviços de emergência, o que faz com que o tratamento muitas vezes seja iniciado com base na avaliação clínica. O Ministério da Saúde distribuiu aos estados mais de 615 mil testes RT-PCR para vírus respiratórios neste ano, volume 33,3% menor que em 2025.
O Tamiflu é fornecido gratuitamente pelo SUS para pacientes com indicação médica. Na rede privada, o preço varia entre R$ 290 e R$ 290 e R$ 300. Os genéricos de fosfato de oseltamivir podem ser encontrados entre R$ 170 e R$170 e R$ 210.
Até o momento, o país contabiliza 505 óbitos por SRAG associadas ao vírus da Influenza. As mortes por Covid-19 somam 270. A orientação é que pessoas com sintomas respiratórios busquem avaliação médica para identificar a causa e definir o tratamento adequado.



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