Anvisa aprova início de testes para remédio nacional que pode ajudar pessoas com lesão na medula
Substância chamada polilaminina, desenvolvida por pesquisadora da UFRJ, conseguiu devolver movimentos a pacientes em estudo anterior; nova fase vai avaliar segurança.
Foto: Reprodução / TV Globo A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (5), o início dos testes clínicos de um medicamento 100% nacional que traz esperança para pacientes que sofreram lesão na medula espinhal e perderam movimentos.
O aval da Anvisa permite o início da primeira fase de estudos da polilaminina, uma rede de proteínas desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O anúncio foi feito em coletiva do Ministério da Saúde.
A polilaminina é uma rede de proteínas que se torna escassa no corpo ao longo da vida. Em um estudo anterior, a substância – extraída de placentas – foi introduzida em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. A pesquisa mostrou que ela foi capaz de recriar conexões entre os neurônios e o restante do corpo, devolvendo movimentos a seis pacientes. Um deles, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sozinho.
"É o resultado de um trabalho de muitos anos, uma equipe muito grande. A universidade, empresa, os profissionais de saúde nos hospitais, fisioterapeutas, uma equipe muito grande que está envolvida nisso", afirmou a pesquisadora Tatiana Sampaio.
Agora, a substância avança para a fase de testes necessária para se tornar um medicamento aprovado. Nesta primeira etapa, a equipe médica irá observar principalmente a segurança do uso da polilaminina. Cinco pessoas com lesão completa da medula receberão uma única injeção da substância até 48 horas após o trauma e serão acompanhadas por seis meses. O objetivo é verificar se há reações adversas graves.
"Para nós é muito significativo, que é um produto 100% nacional, de universidade pública", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O estudo da polilaminina começou em 1997. A equipe da UFRJ aguardava há três anos a aprovação da Anvisa para iniciar os testes clínicos em humanos. Antes de se tornar um medicamento disponível, a substância ainda precisa passar por três fases de testes, e não há uma data definida para a conclusão desse processo.



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