Risco no mar: o que são as minas navais e por que elas podem agravar a guerra entre Irã, EUA e Israel
Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, pode ser alvo de explosivos; entenda como funcionam essas armas e por que Trump elevou o tom.
Foto: Forças Armadas da Romênia via Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra o Irã na terça-feira (10), após reportagens da imprensa norte-americana afirmarem que forças iranianas poderiam colocar explosivos conhecidos como minas navais no Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A região, localizada entre o território iraniano e a Península Arábica, está no centro do conflito no Oriente Médio e qualquer ameaça na área pode afetar o preço dos combustíveis globalmente.
O que são minas navais?
Minas navais são explosivos posicionados no mar para atingir embarcações. Elas ficam submersas ou à deriva e podem ser acionadas automaticamente por contato ou quando detectam a passagem de um navio.
Existem diferentes modelos:
- Algumas ficam presas ao fundo do mar
- Outras permanecem ancoradas a certa profundidade
- Algumas podem ficar à deriva
Modelos mais simples explodem com o impacto no casco do navio. Versões mais modernas utilizam sensores que detectam alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores.
O arsenal do Irã
Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais. De acordo com análises do Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, o Irã mantém um arsenal variado de minas de origem soviética, ocidental e de fabricação própria.
Um dos modelos mais avançados em posse do país seria a EM-52, de origem chinesa. Essa mina permanece no fundo do mar e dispara uma espécie de foguete em direção ao alvo quando detecta a passagem de uma embarcação.
Limitações iranianas
Segundo o estudo, a capacidade iraniana de instalar minas desse tipo em grande escala é limitada, já que o país teria apenas três submarinos apropriados para lançar o modelo. Diante disso, o Irã poderia usar embarcações pequenas para posicionar minas mais simples.
Ainda de acordo com o Strauss Center, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte, como um petroleiro. O navio, no entanto, poderia sofrer danos significativos.
A reação dos EUA
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump exigiu que o Irã desistisse de instalar minas na região ou removesse qualquer explosivo que tenha sido colocado na rota marítima.
"Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes", afirmou.
O presidente disse ainda que os Estados Unidos monitoram a região e destruirão qualquer embarcação usada para minar o Estreito de Ormuz. Pouco depois, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou que atacou vários barcos iranianos ao longo da terça-feira, incluindo 16 embarcações usadas para transportar minas navais.
Impacto no petróleo
Após o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã afirmou que estava fechando o estreito e ameaçou atacar embarcações. O tráfego marítimo na região caiu drasticamente, pressionando o preço do barril de petróleo, que chegou a se aproximar dos US$ 120 na segunda-feira (9).
Regras internacionais
O uso de minas marítimas é regulamentado pela Convenção de Haia de 1907. O tratado proíbe que países instalem minas de contato perto da costa ou de portos inimigos com o objetivo de bloquear o tráfego de embarcações comerciais.
O Estreito de Ormuz já foi minado no passado. Na década de 1980, durante a fase final da guerra entre Irã e Iraque, explosivos foram espalhados pela região.



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