2025 foi ano de extremos: Paraná registrou tornados históricos e recordes de calor e frio
Relatório do Simepar aponta quatro tornados classificados, incluindo um dos maiores eventos em 30 anos, e revela temperaturas que variaram de -7,8°C a 42,5°C no estado. Chuvas foram irregulares, com seca grave em algumas regiões.
Foto: Ana Tigrinho/AEN O ano de 2025 ficou marcado por eventos climáticos extremos no Paraná, segundo o balanço divulgado pelo Simepar. Além da classificação oficial de quatro tornados – com destaque para um evento em novembro considerado um dos maiores dos últimos 30 anos –, o estado registrou recordes históricos de temperatura, com máxima de 42,5°C e mínima de -7,8°C, e um padrão irregular de chuvas que resultou em períodos de seca.
O ano foi de contrastes acentuados. No espectro do frio, o inverno rigoroso se destacou, com 59 registros de temperaturas abaixo de zero em 26 cidades. A menor marca do estado foi -7,8°C em General Carneiro em 25 de junho. Entre as estações do Simepar, o destaque foi o Distrito de Horizonte, em Palmas, com -5,2°C no dia anterior. Foram emitidos 28 alertas de geada entre maio e agosto, com General Carneiro registrando seis dias consecutivos de geada em agosto.
No extremo oposto, o calor também fez história. A temperatura mais alta de 2025 foi 42,5°C em Capanema, em 27 de abril. Em dezembro, uma intensa onda de calor elevou as máximas a mais de 5°C acima da média no Litoral, Grande Curitiba e Campos Gerais. Telêmaco Borba registrou 38°C no dia 26, a temperatura mais alta desde a instalação da estação, em 1997.
Eventos Severos e Tornados: A primavera, estação das tempestades, foi particularmente intensa. A Defesa Civil estadual contabilizou 224 ocorrências relacionadas a eventos severos, mais que o dobro das 102 de 2024. Os registros de vendaval saltaram de 72 para 150, e os de granizo, de 11 para 53. O auge foi no dia 7 de novembro, quando a passagem de três tornados causou destruição em 11 municípios, sendo Rio Bonito do Iguaçu o mais devastado. Laudo técnico do Simepar concluiu que este foi um dos maiores eventos do gênero no Paraná nos últimos 30 anos, considerando o número de tornados, pessoas atingidas e nível de destruição. Um outro tornado categoria F1 havia sido classificado no primeiro dia da primavera, 22 de setembro, em Santa Maria do Oeste.
Chuvas Irregulares e Seca: O volume anual de chuvas ficou próximo da média estadual, mas com distribuição muito desigual. Enquanto estações como Pinhão, Santa Helena e São Miguel do Iguaçu registraram cerca de 400 mm a mais que a média histórica anual, outras tiveram déficit significativo. Ponta Grossa terminou o ano com 992,6 mm, muito abaixo da média de 1.415,1 mm. Essa irregularidade, principalmente no segundo trimestre, deu origem a um quadro de seca. "Isso favoreceu com que, ao longo do segundo trimestre de 2025, se estabelecesse uma seca fraca na região litorânea, que se prolongou para os Campos Gerais e faixa Norte do Estado", explicou o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar. A seca evoluiu de fraca para moderada e, em alguns pontos da divisa com São Paulo, chegou à classificação de seca grave no segundo semestre.
Os eventos extremos de 2025, especialmente os tornados de novembro, foram impulsionados por condições atmosféricas específicas. A fase negativa da Oscilação Antártica favoreceu a formação de mais sistemas frontais sobre o Sul do Brasil. No dia 7 de novembro, o ramo frio de um ciclone extratropical criou um ambiente de elevada instabilidade, permitindo que nuvens de tempestade se intensificassem em supercélulas rotativas, que deram origem aos tornados. O trabalho de classificação e análise desses fenômenos é realizado pelo Simepar em conjunto com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).



COMENTÁRIOS