Paraná soma 8 tornados em 9 meses; entenda por que o estado é alvo de tantos fenômenos
Levantamento do Simepar mostra eventos entre setembro de 2025 e junho de 2026; especialistas explicam que o estado está no segundo maior corredor de tornados do mundo.
Tornado São Jose dos Pinhais — Foto: Reprodução O Paraná registrou oito tornados em um intervalo de nove meses, entre setembro de 2025 e junho de 2026. O levantamento foi confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e mostra que o estado está em uma das regiões mais propensas à formação desses fenômenos no planeta.
O tornado mais recente foi registrado em Reserva, nos Campos Gerais, no último domingo (28). Ele foi classificado como F2, com ventos de aproximadamente 200 km/h. A passagem do fenômeno pela localidade rural de Imbú deixou 11 casas danificadas, 50 pessoas afetadas e 10 desalojadas. Uma moradora sofreu ferimentos leves. Veículos e a vegetação ao redor também foram atingidos.
Desde o início de 2026, outros três tornados já haviam sido confirmados: dois em janeiro (em Mercedes, no Oeste, e em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba) e um em fevereiro, em Foz do Iguaçu — o mais brando de todos, classificado como F0, com ventos entre 65 km/h e 116 km/h.
Em 2025, o primeiro tornado foi em setembro, em Santa Maria do Oeste, na região central, com ventos de 120 km/h. O município ficou mais de 24 horas sem água e luz. Depois, em novembro, três tornados devastadores atingiram a mesma região. O mais forte deles passou por Rio Bonito do Iguaçu com categoria F4 e ventos próximos a 400 km/h — a cidade teve 90% dos imóveis destruídos e precisou ser praticamente reconstruída. Naquele mês, seis pessoas morreram em Rio Bonito e uma em Guarapuava. Ao todo, 835 pessoas ficaram feridas.
O que explica tantos tornados?
A professora Karin Linete Hornes, especialista em tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que o Paraná está no segundo maior corredor de tornados do mundo, atrás apenas das planícies centrais dos Estados Unidos. A região, que inclui também Santa Catarina, Rio Grande do Sul e partes do Paraguai, Uruguai e Argentina, reúne condições atmosféricas favoráveis.
"Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam no Paraguai, entradas de frentes frias associadas a ciclones no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados", detalha Hornes.
Como os tornados são classificados?
O Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional, que mede a gravidade do fenômeno com base nos danos provocados. A escala vai de F0 (ventos entre 65 km/h e 116 km/h, danos leves) a F5 (ventos entre 418 km/h e 511 km/h, destruição extrema). O tornado mais forte já registrado no Paraná neste período foi o F4 de Rio Bonito do Iguaçu.
📰 LEIA TAMBÉM

Fenômeno foi registrado no fim da tarde de terça-feira (30) na comunidade de Pitinga; moradores trabalharam para liberar vias e o tempo seguiu instável durante a noite.



COMENTÁRIOS