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Bituruna,25/02/2026

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Dez anos do rompimento da barragem de Mariana: tragédia deixou 19 mortos e Rio Doce contaminado

Apesar de um acordo bilionário e ações de reparação, ninguém foi responsabilizado criminalmente pela destruição de comunidades e impactos ambientais.

Fonte: g1
Dez anos do rompimento da barragem de Mariana: tragédia deixou 19 mortos e Rio Doce contaminado Foto: TV Globo/Reprodução

MARIANA (MG) - Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da Samarco, se rompeu em Mariana, liberando 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A tragédia matou 19 pessoas, destruiu comunidades inteiras e causou danos irreversíveis ao Rio Doce. Dez anos depois, o processo criminal segue em andamento, sem condenações, e as ações de reparação permanecem incompletas.

No ano passado, a Justiça Federal absolveu a Samarco e todos os demais denunciados. A juíza Patricia Alencar Teixeira de Carvalho alegou que não foi possível identificar quais condutas individuais contribuíram para o desastre, aplicando o princípio de dúvida favorável aos réus. O Ministério Público Federal (MPF) recorreu, destacando que a tragédia ocorreu devido a omissões de uma estrutura organizacional complexa e que os gestores tinham ciência dos riscos de liquefação e colapso da barragem. Entre os nomes citados pelo MPF estão Ricardo Vescovi (diretor-presidente da Samarco à época), Kleber Terra (diretor de operações e infraestrutura) e outros gerentes operacionais da empresa.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) critica a absolvição, afirmando que a impunidade aumenta o risco de novas tragédias, como a de Brumadinho.

Em outubro de 2024, Samarco e poder público firmaram um novo acordo de reparação de R$ 170 bilhões, incluindo R$ 38 bilhões já gastos anteriormente. Parte das obrigações foi transferida para o governo federal e os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, que devem investir em mobilidade, saneamento básico e programas de transferência de renda para agricultores e pescadores afetados.

Até setembro de 2024, a Samarco quitou R$ 14 bilhões em indenizações individuais e auxílios financeiros, enquanto a Fundação Renova havia gasto R$ 18,1 bilhões em ações de reassentamento e recuperação ambiental. No entanto, atingidos como Mônica dos Santos, de Bento Rodrigues, relatam lentidão e insuficiência nos reparos.

No plano internacional, milhares de atingidos entraram com ação civil contra a BHP na Justiça inglesa, solicitando mais de R$ 260 bilhões em indenizações. A primeira fase do julgamento sobre a responsabilidade da empresa foi concluída em março de 2025, mas a sentença final ainda não foi publicada. A segunda fase determinará como cada atingido será compensado, caso a BHP seja condenada, com a Vale arcando com metade do valor.




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